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Felipe-53
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Honestidade

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Honestidade para quem?

O primeiríssimo e principal objeto dessa sagrada Virtude deveria ser ninguém menos do que: nós mesmos. É necessário antes de mais nada ser honesto consigo.

Pode-se, a princípio, estranhar-se tal proposição: afinal como poderia eu ser desonesto comigo?

A coisa é mais sutil; no Nordeste diria-se que “o buraco é mais embaixo”.

Naturalmente ninguém buscar se enganar deliberadamente. Mas, infelizmente, é mais comum do que se imagina criar narrativas distorcidas e convenientes para si, na busca de evitar fatos ou conclusões dolorosas a seu próprio respeito. É aquela história do “se iludir”, como é conhecido na cultura popular: eu passo pano ou “dou uma de doido” - só que para mim mesmo.

Honestidade e Autocompaixão

Na mesma medida em que se faz necessário sermos honestos conosco - é um dos maiores aliados do autoconhecimento, na minha visão (e surpreendentemente difícil de por em prática) - é igualmente importante não perder de vista a autocompaixão. É ainda necessário não confundir autocompaixão com “passar pano para si”. A honestidade com autocompaixão soa mais ou menos assim:

“Eu sei que errei e agi de forma diversa ao que gostaria de ter feito; se houver alguma forma de reparação a ser feita, assim buscarei fazer: mas acima de tudo, procurarei fazer melhor na próxima vez, pois sei que meus erros não me definem”.

A capacidade de ser autocompassivo se comunica diretamente com a autoestima de cada um: é difícil conseguir continuar se amando, se respeitando e acreditando em si - mesmo diante de erros, tropeços e falhas - se não acreditamos íntima e profundamente que somos valiosos pelo simples fato de sermos quem somos; e de que temos direito à vida e à existência - digna!

Ambivalência e Oração

Por fim, no espirito de dar uma aura ritualística e “espiritual” a algo essencialmente secular (ainda vou escrever sobre isso um dia, kkk) vai aqui um pequeno “mantra” a ser usado antes de uma auto-reflexão em que se busca depreender a “verdade” sobre si mesmo: que pode, sim, muito bem, ser cinza e ambivalente, no sentido de que podem existir desejos, visões e valores perfeitamente autênticos e contraditórios dentre da mesma pessoa!

“Nobre espírito desta sagrada Virtude, dai-me sabedoria para que eu honre Teu nome.”

Boa noite.


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